sábado, 29 de outubro de 2011

A história da menina Kôral

Michelle é uma colega de trabalho, gravidinha, e muito simpática.
Ela tem uns 28 anos e um filho de 15. Então imaginem,  ela engravidou aos 13 anos e passou maus bocados.
Seus pais são separados. Na separação, o pai, por ter uma condição financeira mais privilegiada que a mãe, conseguiu na justiça o direito a guarda dos dois filhos: A Michelle e o irmão (cujo nome não sei!).
Porém, aos 13 anos de idade a Michelle engravidou de um militar de 19 anos. Foi um escândalo e seu pai não aceitou de jeito nenhum a sua filha grávida colocando-a para fora de casa.
Sua mãe, então recém-casada, acolheu a filha, dando todo apoio e assistência que necessitou, criando seu neto e sua filha com todo amor e carinho. Seu atual marido assumiu o papel de pai de Michelle e de avô de seu filho Lucas, que é apaixonado pelos avós e encontra neles uma referência.

Mas não é a história dela que vou contar não. Vou contar a história que ela me contou.
É a história da menina Kôral. Uma criança de 6 anos que tornou-se membro da família.

Certo dia, conta Michelle, sua mãe estava em casa (é dona de casa) e tocou uma mulher à campainha. Essa mulher era meio hippie, toda tatuada e tinha com ela uma criança de aproximadamente 3 anos. A Kôral.
A mulher disse:
_ A senhora poderia olhar minha filha hoje pra mim. Pois estou doente e preciso ir ao médico e não posso leva-la.

A senhora, de nome Ana, achou aquilo muito entranho, mas colocou a criança pra dentro de sua casa. A mulher então se identificou e disse que era amiga de uma conhecida dessa senhora. E foi embora.

Anoiteceu e a mulher não deu as caras. Ela não tinha deixado roupas, nem nada para a criança pernoitar na casa da “estranha” e tampouco deu um telefonema para saber como estava sua filha.
O marido de Ana chegou e achou muito entranho o fato da mãe ter deixado aquela criança linda ali na casa de estranhos e decidiu, então, ir na casa da conhecida a que a mãe da criança se referiu para confirmar se era mesmo verdade.
Ao chegar na casa dessa conhecida, se deparou com a outra filha dessa mulher, que também tinha sido deixada lá pela mãe. A conhecida (também não me lembro o nome), informou que de fato, a mãe estava doente e que tinha deixado sua filha Jade lá para ir ao hospital.

O marido de Ana decidiu voltar pra casa com a menina, a Kôral, e esperar que a mãe voltasse do hospital. A criança ficou na casa, com os “estranhos”, tranquilamente, brincando, como se os conhecesse há muito tempo.

Michelle conta que na primeira noite tiveram que improvisar roupas para a criança dormir e que foi um sufoco pois a menina ainda fazia xixi na cama.
Mas a noite correu bem. Em nenhum momento a criança chorou ou perguntou pela mãe.
(Se fosse a minha filha ia estrebuchar de chorar perguntando por mim).

Ok. No outro dia tentaram contato com a mãe pelo número de celular que ela tinha deixado. E para a surpresa a mulher atendeu e disse que ainda estava internada no hospital de base e perguntou se Ana poderia cuidar de sua filha por mais um tempo, até ela se recuperar. Ana não teve escolha e não pensou duas vezes. Uma criança tão frágil e tão graciosa ali, precisando dela. Não poderia negar nenhuma ajuda.
E a menina foi ficando.
Ana e seu marido, compraram roupas tudo que a criança precisava no momento e foram cuidando dela... se afeiçoando a ela... e a mãe, nada de aparecer.

Uma semana depois (se não me falha a memória) a mãe de Kôral aparece na porta da casa de Ana com uma mala na mão. E então diz a Ana que precisa fazer uma viagem e pede que continue cuidando da Kôral. Bom, a Kôral já estava lá e estava muito bem. Certamente poderia continuar.
E a mulher se foi.
Dois meses depois a mãe reaparece acompanhada de um rapaz. O apresenta como namorado e diz que em breve se casará e levará Kôral para morar com eles.
Ana observa o rapaz e sugere a mãe que primeiro organize sua vida e quando ela tiver sua casa e tudo estruturado, que ela vá buscar a menina, pois ela estava muito bem lá.
O namorado da mãe foi apresentado como policial militar. E demonstrou ter se apaixonado pela menina.
Porém, a mãe não retornou nos dias seguintes para visitar a menina. Mas seu namorado sim. Ele ia constantemente visitar a criança na casa de Ana e sempre dizia que estava passando por ali e que a mãe de Kôral estava em casa e não pode ir.

Depois de umas 3 visitas Ana começou a estranhar a atitude desse rapaz e pediu ao seu marido que chegasse mais cedo do trabalho para averiguar.
Foi quando o namorado da mãe veio para mais uma visita. Ao se deparar com o marido de Ana em casa aparentou desconforto. Mas foi recepcionado com a maior educação.
Ele pediu para segurar a menina no colo. Mas o marido de Ana não permitiu. Disse que a menina não gostava de colo. Ele pediu, então, para levar a menina para passear. O marido de Ana disse que tudo bem, ele poderia levar a menina para passear desde que ele também fosse junto. Foi então que o suposto policial percebeu que não seria fácil ter acesso a criança e desde aquele dia não apareceu mais na porta da casa de Ana.

Depois de algumas semanas a mãe apareceu e disse que tinha terminado tudo com aquele namorado e que faria uma viagem para o São Paulo, pois pretendia comprar algumas peças para artesanato. E mais uma vez, foi embora.
Após alguns meses, ela voltou novamente a porta de Ana e pediu para levar a filha para ir a uma festa com ela.
Ana disse a mãe, que cuidaria da menina até que ela tivesse condições de assumi-la. Pois ela era a mãe.

Bom, mas a noite da mãe não foi como esperava. A menina não quis permanecer com a mãe na festa e muito menos dormir no local em que a mãe estava. Chorou, teve febre e aporrinhou a mãe com saudades de Ana e do marido, a quem ela já considerava seu pai.
Foi então que o marido de Ana saiu de madrugada para buscar Kôral no outro lado da cidade. E foi só chegar em casa para a menina melhorar.
A mãe então disse que viajaria para o Uruguai para tentar um trabalho e que quando estivesse em condições, voltaria para buscar a filha.
E desde então, nunca mais apareceu.

Hoje, Kôral tem 6 anos e diz para quem quiser ouvir que Ana é sua mãe, pois ela saiu de sua barriga.
Para Ana e seu marido, Kôral também é amada como filha, pois como dizem suas palavras, eles são capazes de matar e morrer por ela.

Todos os anos, Ana prepara com apreço a festinha de aniversário de Kôral e convida todos os seus amiguinhos da vizinhança.

Há algum tempo, tentou conseguir adotar a menina. Mas a burocracia a impediu, pois a mãe está viva, embora desaparecida e para que ela consiga a adoção, deve passar por todos os processos e a menina teria que ficar em um orfanato por um tempo.
“Deus me livre! De jeito nenhum!” – eles disseram. Não querem que a menina passe um dia sequer em um orfanato.
O problema com a burocracia começou quando precisaram viajar. Tinham muito medo que tivessem problemas, pois a certidão de nascimento, único documento deixado pela mãe, não dava direitos ao casal de viajar com a criança.
Foi um sufoco, conta Michelle. Seus pais viajaram com um monte de dinheiro no bolso, preparados para pagar a qualquer guarda ou policial que pedisse os documentos da criança. Ana disse que se a pegassem, ela não ia desgrudar da menina, que iria ande ela estivesse.

Por sorte nada aconteceu nas viagens. Mas o problema persistiu quando Ana quis matricular Kôral na escola. Afinal, ela já tem 6 anos. Como poderia sem documentos que lhe davam a guarda.

Procurou a justiça, mas a burocracia é a mesma. Mas por sorte, conseguiu com um amigo que trabalha na Vara da Infância, um documento dando a guarda provisória para que a menina comece a estudar.
Nesse momento, Ana e seu marido apenas temem que a mãe volte e queira reclamar algum direito. Há dois anos ela não aparece e a menina mal se lembra quem ela é. Mas perante a justiça, ela tem todos os direitos.
Ana e seu marido não conseguem mais imaginar suas vidas sem a presença da Kôral Ela se tornou um membro da família e é muito amada por todos, não apenas pelos pais adotivos.

Quando ouvi Michelle contando a história da Kôral, vi o amor em seus olhos e fiquei muito emocionada com cada detalhe que ela ia me contando.
Nesse mundo tão carente de amor, em que muitas crianças sofrem pelo desafeto dos próprios pais, Ana e seu marido dão um exemplo de amor.

E mais do que isso, a vida nos faz pensar sobre os mistérios de Deus ao agir sobre as coisas.
Imaginem, alguém toca a sua campainha e te dá uma crinaça para você amar;
Essa é uma verdadeira história de amor que compartilho com vocês.

De volta

Estou de volta.
Estive ausente por algum tempo. Na verdade, estive doente. Fiquei uma semana passando muito mal, dois dias internada e depois de quase duas semanas, me recuperei.
Ficar doente me fez parar um pouco. As vezes o corpo pede – as vezes o corpo obriga.
No meu caso, acho que meu corpo me obrigou. Estava em um ritmo frenético na rotina da minha vida cotidiana. Uma correria diária que me levou a exaustão.
As pessoas não acreditam muito nisso. Mas o estresse é um veneno para o sistema imunológico. Só que é um veneno tomado em doses homeopáticas que só depois de um tempo é que se veem as mazelas.
Os dias que fiquei mal, com febre e dores no corpo, foram pesadelos. Os dias em que fiquei no hospital, então, levando uma agulhada após a outra, nem se fala.
Em alguns momentos eu pensava nas pessoas com aquelas doenças graves, que ficam meses no hospital. Que sensação ruim.
Bom, mas passou. Fui assistida durante todo o tempo e muito bem cuidada, graças a Deus.
Ficar doente serviu, além de me fazer ralentar o ritmo, para valorizar ainda mais as pessoas que fazem parte da minha vida. Minha família, meus amigos... A companhia das pessoas que amo. Hoje a gente está bem e amanhã não se sabe. Pode ser que venha uma bactéria e te deixe 7 dias com febre até você morrer. Afinal, pra morrer basta estar vivo, não é mesmo!?
Mas chega desse papo fúnebre que hoje quero falar sobre o amor. Vou contar uma história que ouvi de uma colega de trabalho e que me deixou emocionada.
Segue no próximo post.

sábado, 8 de outubro de 2011

Planejamento estratégico

  Quase tudo na vida requer planejamento prévio. Especialmente no campo das organizações é necessário dedicar-se ao planejamento das ações futuras.

O objetivo em realizar o planejamento dentro das organizações é o de obter, obviamente, o melhor resultado possível, através da antecipação das ações necessárias para alcançar as finalidades organizacionais. Afinal, o crescimento não depende de sorte.

Entretanto, realizar apenas o planejamento das ações não é o suficiente para quem deseja ter vantagem competitiva. É necessário mais que isso. É necessário planejar estrategicamente para chegar antes do concorrente no objetivo, antecipando fatores que podem colaborar ou prejudicar os processos da organização e assim tirar vantagens maximizando resultados positivos e utilizando menos recursos.

Administrar é um processo que requer além do planejamento, a organização, o controle, a coordenação e o comando. Todavia, todas essas partes do processo dependem uma da outra para se completarem, ou seja, para haver um planejamento efetivo, é necessário que as demais partes do processo de administrar sejam também realizadas, ou será um processo incompleto e insuficiente.

Como poderá, por exemplo, uma organização, realizar um planejamento estratégico se não consegue organizar seus recursos ou coordenar seu pessoal e suas ações? 

Sendo assim, deve-se ter em mente que o planejamento estratégico exige da organização que haja um processo redondo de administração dos recursos. Além disso, é necessário que tenha de forma clara quais são os objetivos e a razão de existir. Assim, é possível estabelecer as metas que nortearão a tomada de decisões.

O que diferencia um planejamento qualquer de um planejamento estratégico é a particularidade do negócio. Não pode haver um plano que sirva para todas as organizações da mesma maneira, pois cada uma possui peculiaridades que diferenciam as necessidades e percursos a serem percorridos. Dessa maneira, faz-se necessário o investimento em planejamento estratégico como ação de maior eficiência para atingimento dos resultados, uma vez que direciona os membros da organização  e mobiliza os recursos para o mesmo objetivo.

Por isso, o planejamento estratégico é uma das mais importantes funções administrativas, pois define ações táticas com diretrizes peculiares, vislumbrando uma situação futura não apenas aonde quer chegar, mas “por onde se pretende ir”.

O planejamento estratégico, como metodologia gerencial, visa antecipar situações futuras para melhor adaptar-se às mudanças que são inevitáveis no contexto de mercado. Quanto maior a capacidade de atentar-se a essas mudanças, maior é a possibilidade de adaptações e de ações estratégicas. Ou seja, quanto maior a visão, maior a antecipação, evitando a cultura de apagar incêndios. 

Para isso é necessário que se realize a análise do ambiente, tanto interno, como  a situação da empresa, seus recursos, potencialidades, objetivos e metas, como também os externos, como o mercado, concorrentes, clientes, tendências de mercados e demais fatores que influenciam de alguma maneira a organização, como a economia, por exemplo, leis ou políticas governamentais.

Após ter consciência dos fatores que definem e influenciam ou podem influenciar a organização, ou seja, de fazer o diagnóstico, é possível prosseguir para a fase da definição da visão e missão da empresa. Pois se já se sabe onde está, é preciso saber também aonde se quer chegar.

Quando já se sabe onde está e aonde se quer chegar, é mais fácil elaborar um plano estratégico para definição do que fazer. E antes de tomar qualquer ação, é importante já ter pensado nas possíveis consequências das ações que serão tomadas, pois assim será possível evitar as consequências indesejadas.

Vem, então, a fase da implementação e controle das ações para concluir o ciclo que recomeça constantemente e infinitamente, pois sempre haverá novas situações e oportunidades que requererão novos planos.

É importante ressaltar que o processo de planejamento estratégico também deve ser realizado em três níveis: O estratégico, elaborado com base nas metas da alta gerência, o tático pela média gerência ou pelo nível hierárquico que segue abaixo da alta gerência, aplicando-se a departamentos específicos e o operacional, que é a parte da formalização dos planos, metas e ações, normalmente realizadas pelos baixos níveis de gerência.

Atuando nesses três segmentos estrategicamente, a organização aumenta as possibilidades de sucesso e consequentemente promove o desenvolvimento da organização.

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Quem é Deus?

Hoje o dia está nublado. Em dias nublados dá uma preguiça de sair da cama...
Além disso, fico especialmente nostálgica. Uma melancolia que chega a ser até gostosa. Eu gosto de ficar melancólica, às vezes. São nesses momentos que minhas melhores inspirações brotam, pois estou em contato direto com meus sentimentos mais genuínos e intensos.

De modo geral posso dizer que as coisas andam muito bem, obrigada. Por isso não poderia dar o nome de tristeza ou sei lá o que, pra o que sinto.
Nesses dias nublados fico carregada de sensações. Como diz meu amore, sou vítima do clima!
Falando em amore, ontem tivemos uma diálogo interessante. Diria até engraçado. O tema é: A existência de Deus e de Jesus.. mamma mia! Imagine só quantas descobertas eu fiz.
Qualquer pessoa pode ter a mente aberta para qualquer conhecimento novo ou para questionamentos diversos. Mas no campo da fé é complicado abrir a mente para novos conhecimentos, pois põe em risco a desconstrução do alicerce que formou o indivíduo no que ele é. Olha só que delicado.
Talvez pra mim isso seja mais tranquilo. Afinal, não tive uma vida religiosa intensa e nem sequer muitas referências. Posso dizer que sou uma espírita sem vergonha, por que nem frequento, nem tenho lido, nem me aprofundo em nada mais há muito tempo. Na verdade, prefiro dizer que sou espiritualista filosófica. Por que cada conhecimento que adquiro referente a doutrina espírita, a religiosidade ou a fé, argumento logicamente, contesto, filosofo e depois, se encontrar uma lógica, tento acreditar.
É que me sentiria uma tola se acreditasse em algo simplesmente por que me dizem que é verdade. Seja em um fenômeno ou um Deus. Principalmente nesse Deus famoso, que muitas religiões tem pregado existir. Nesse ponto estou com Nietzsche e não abro quando diz que não pode acreditar em um Deus que quer ser louvado o tempo todo. E diria mais! Não posso acreditar em um Deus que também quer ser temido o tempo todo. Seria muito contraditória essa lógica. Acho que tem mais coisas aí!  Meu bem diz que sou racionalista. Mas já contestei esse argumento também, dizendo que não posso ser apenas uma coisa. RACIONAL! (quem me dera!) Seria muito limitado. Além do mais, meus argumentos e questionamentos tem origem na minha mais sutil sensibilidade. Nascem em meus sentimentos diante da observação da realidade.

Gosto do conhecimento simplesmente por gostar, não por tentar encontrar um sentido para a minha existência em um Deus inventado pelo homem. Sim, por que esse Deus que muitos pregam é bastante contraditório. Prefiro aceitar que o conhecimento sobre Deus está bastante além da nossa capacidade de compreensão. Mas o homem necessita de tal maneira conhecer esse Deus, desvendá-lo, defini-lo, que o enquadra em muitas definições. Talvez Deus simplesmente seja Deus e pronto.
Não sinto a necessidade de entender o que é Deus para dar sentido a minha vida. E muito menos de fazer tudo que dizem que Ele tem como correto.
O que as pessoas sabem ou descobriram que eu também não posso descobrir sozinha, seja sobre a teoria da existência ou sobre a fé em Deus?
Posso dizer que as coisas são separadas, mas por mim mesma, pois acredito que tudo esteja interligado de alguma maneira em um ciclo infinito de renovação e transformação. Tudo deve ter um propósito, acredito. E é nesse propósito que encontro o Deus da minha fé, ou seja, é nesse propósito para a existência que encontro o meu sentido para viver.  
Quando meu amore ler esse post, certamente vai rir do que vou dizer agora. É que tudo isso que disse, tem muito a ver com a teoria de Leibniz sobre as mônadas e do melhor dos mundos possíveis.
Vou tentar desenhar a forma como entendo a teoria de Leibniz no contexto do melhor dos mundos possíveis.

Lembrando que isso não é um estudo científico e nem pretendo provar nada, apenas compartilho a minha interpretação sobre essas teorias. Minhas palavras não tem nenhum valor científico.



Então, o ciclo de evolução, no meu ponto de vista, ocorre como em um espiral. Temos aqueles ciclos para concluir naquela direção. Todavia, existem as quebras nesses ciclos causadas pelas escolhas que fazemos devido o nosso livre arbítrio. Uma vez que nenhum espírito regride, não é possível voltar atrás no espiral. É possível apenas retardar o processo de desenvolvimento, saindo do percurso normal, indo por outro caminho mais longo. Não tem aquela frase famosa que diz “se não for pelo amor, será pela dor”? Pois, então, essa frase traduz fielmente o que quero dizer. Tudo que quebra a harmonia da mônada, pode ser a causa da dor para a evolução de que se fala, visto que o caminho é mais longo e mais árduo.
Entrando, agora no contexto da teoria do melhor dos mundos possíveis, entendo que Leibniz quis dizer com isso que de qualquer maneira o processo de evolução seguirá no mesmo sentido e não há regressão no processo de desenvolvimento. É como pensarmos no tempo, que não volta, assim o espírito não regride.
À propósito, para Leibniz, a mônada é uma partícula simples, a mais simples possível, que possui uma força. Podemos dizer, com base nisso, que a alma é uma mônada e que nós somos mônadas compostas de mônadas simples cheias de forças que nos impelem a evoluir, pois sempre buscamos o que acreditamos ser o melhor para nós ou o bem, seja lá em que contexto, e sempre evoluímos ainda que por caminhos que não aparentam ser evolução e esclarecimento.
Se o propósito da alma é a evolução, como um instinto do humano, podemos pensar que essa força (das mônadas) nos impele a evoluir ainda que pela via do sofrimento, pois poderia uma alma compreender o sofrimento que o levará a evolução se esta ainda não evoluiu? Parece ilógico? Dependendo do ponto onde estamos no percurso do ciclo, sim! Mas dependendo do esclarecimento atingido, pode-se pensar que a dor e o sofrimento são apenas consequências do processo de evolução, resultado do caminho que foi escolhido em algum momento da existência. Daí entra o contexto da espiritualidade. O da reencarnação, pois nem tudo é explicado na vida atual em que os indivíduos sem encontram.
Seria Deus um tirano injusto, que cria seres diferentes em contextos e situações diferentes só pra olhar? Só por capricho?
Seria Deus um menino brincando de fazer bonecos de massinha para brincar uma só vez e depois guarda-los para sabe-se lá quando, colocar todos em um paraíso vivendo tediosamente com suas tantas imperfeições. Francamente, né, meu povo! Se as pessoas são involuidas hoje, deixariam de ser involuidas só por que estão no paraíso de Deus? E a Terra já não é um paraíso provida de recursos e maravilhas que o homem transformou num inferno?
Não transformaria também num inferno esse outro paraíso concedido por Deus nessa suposta recompensa?
O paraíso e o inferno desse Deus é aqui. E o construímos dia-a-dia com nossas escolhas.
Nesse futuro que imaginam, parece até que Deus é um guarda do novo paraíso para garantir sua harmonia. Mas isso iria contra o livre-arbítrio e transformaria Deus em um arbitro com um apito: Vocês que são bons? Paraíso! Maus, vão para o inferno, morar com o Capeta!